e com a palavra...

(Re)introspectiva 2010 - Parte I



2010 pode ser considerado por muitos um ano que já passou da hora de abrir espaço para a novidade. Mas, à beira do precipício, este velho companheiro de batalhas resolve, à moda dos políticos, alardear seus feitos. Entre equilíbrios e desatinos confira o que de melhor e, invariavelmente, o que de pior 2010 nos reservou:

Mulher no volante

Começando pelo final, como um adendo, vamos ao fato de maior relevância para a nação: pela primeira vez na história desse país, - como costuma dizer certo fantasma de réveillons passados, um “Patinhas” amigo de todos – elegeu-se uma mulher para o mais alto cargo da república. Dilma Roussef é a primeira presidenta desse boteco malcheiroso, eleita 121 anos depois que o velho Deodoro, o primeiro laranja republicano, resolveu mandar o bonachão Pedro de Alcântara gozar férias vitalícias em Paris. Aliás, este país sempre foi uma “mãe” para os deportados alheios, mas uma maquiavélica e calipígia madrasta para os seus.

Agora, como todo possuidor de “TOC” (Transtorno Obsessivo Compulsivo), vamos à cronologia.

Água e Terra

É, meus amigos, o Haiti é lá, mas as imagens daquela tragédia e suas conseqüências ecoam na memória de todos até hoje. Uma péssima forma de se começar o ano. Sem contar a série digna de ser tema dos piores filmes americanos ocasionada pelas chuvas no Rio de Janeiro.

O Haiti, país mais pobre das Américas, foi devastado por um terremoto de magnitude 7,0 no dia 12 de janeiro. Mais de 250 mil pessoas morreram e 1,3 milhão permanecem desalojadas por conta do desastre. Toda a comunidade internacional se mobilizou para ajudar as vítimas do tremor, mas o país ainda enfrenta os desafios da reconstrução.
Em outubro, ainda se recuperando do desastre, o país ainda sofreu com um surto de cólera que matou mais de 2.500 pessoas. (Estadão)

A China, o Paquistão e a Indonésia sofreram catástrofes naturais de dimensões bíblicas, mas o grande vilão do ano – por mexer no bolso dos donos do planeta, claro -, foi um vulcãozinho de nome exótico.
Se esfinge fosse, o Eyjafjallajokull, diria: “Decifra-me ou te sufoco!”. Brincadeiras à parte, o grandalhão aí deixou os europeus de cabelo em pé.

Atirem a primeira pedra, mas cuidado para os estilhaços não despencarem na sua cabeça.

Como se já não bastasse o Lula dando pitaco nos problemas políticos do tal do “Armas na Disney ,já!”, o mundo resolveu meter o bedelho em um esporte que os Persas praticam há mais de um milênio: tacar pedras na Geni.

Uma tal de Sakineh Mohammadi Ashtiani resolveu ajudar a melar a “boa” imagem do país no exterior. Acusada de adultério e de conspirar para mandar o corno, ops, seu marido mais cedo para o lado direito de Alah. Ao que se sabe o dono daquela terrinha bucólica anda meio enfadado desses joguinhos pré-linchamento em porta de cadeia e deixou a moça de lado. Talvez seja o teto de vidro do Ahmadinejad aviando ao chefe: “não força que eu vou cair!”.

Copa do mundo

Como futebol é coisa de respeito, assunto sério e que já causou mortes matadas e mortes morridas, é preciso certo tato para mencionar o fato a seguir. Vocês sabiam que o Brasil não conquistou o Hexa na África do Sul? Não? Tudo graças ao nosso laranja nº 2 de hoje, o grande gaúcho Dunga, que resolveu ocultar gaúchos mais úteis e acabou levando chimarrão. Sabe, olhando para o Dunga hoje começo a ter ideias para o uso alternativo dos espetos de churrasco...

Mineiros, sondas estranhíssimas e buraco, muito buraco.

Ok, os 33 mineirinhos presos no buraco se salvaram (não falo do elenco do Galo que conseguiu, por pouco, escapar da degola, mas dos chilenos, se não notaram ainda), todos estão felizes em suas casas (eu acho), mas vocês não acham aquela sonda um tanto quanto... irreverente? No mínimo, né? Sei não, mas esse negócio de usar símbolos fálicos para salvar 33 caras que estão num buraco há muito tempo não parece coisa de Deus, não mesmo. E aquele papo de “fizemos um, pacto e nada do que aconteceu lá NO BURACO durante esses três meses. será revelado”. Conta outra compadre, que nessa nem o Ronaldinho acredita. Quanto à sonda Fênix, soube que será a grande atração do prêmio AVN 2011. Não sacam o AVN? Vão ao Google, crianças preguiçosas... vão gostar. Palavra de escoteiro.

Daí, meus caros, morreu o Neves... e a Inês também (que é para as feministas de plantão não erguerem suas vozes potentes e seus buços proeminentes contra nós).


Futebol

Digamos que 2010 foi um ano atípico para o nobre esporte. Para começar, o Flamengo não levantou uma taça sequer. Vá lá, muitos dirão que mandar embora o Bruno, o Adriano e o Love contribuiu para a Lei Seca pegar na terra de Araribóia, mas acho isso uma injustiça, ou como dizem alguns, uma P*** falta de sacanagem.

Como sabem (descobriram, né?) o Brasil não levantou o caneco na África, deixando a Espanha deitar e rolar nos holandeses. Mas a coisa por aqui pegou e pegou com força de PM em blitz sábado à noite.

Na terra de Jorge Amado e do Pe. Pinto, o Vitória passeou no regional, balançou o chão da praça na Copa do Brasil, perdendo apenas a derrota mais certa do ano, contra o Santos de Ganso, Neymar e Robinho. Nadou, nadou, cansou e resolveu reencontrar seu parceiro de copo e cruz, o Bahia, na série B do Basileirão. Ingratos, os tricolores levantaram, sacodiram a poeira e deram um a zero no Leão... não é que depois de quase uma década comendo a farinha do desprezo, o tricolor voltou?! Se fosse primeiro de abril eu não comia. Tá rebocado!

“Rio, cidade desespero!” (021 – Planet Hemp)

Com essa eu já ia embora, mas a memória pegou no tranco e lembrei do Rio. O Rio de Tom e Vinícius e das mulheres hortifrutigranjeiras. o Rio que sempre está na vanguarda das coisas resolveu limpar a casa para os dois eventos esportivos de maior relevância de sua história: O arrastão olímpico e a Copa de pebolim em 2014.

Seguindo os sábios conselhos do Capitão Nascimento, as autoridades cariocas resolveram descer a madeira nos traficantes. Os donos da boca, sem alternativa, ou com alternativa de sobra, vai saber, desceram o morro de turma e sumiram no mapa.

Do jeito que a coisa anda podemos ver algum no BBB11, façam suas apostas.

Mas, a grande notícia no meio disso tudo foi a casa que Pezão, traficante da velha guarda, deixou para a molecada cda comunidade curtir o verão. Quando vi as fotos jurei se tratar do cenário de um clip de Hip Hop, coisa fina tipo Snoop Doggy Dogg e Parangolé (que Deus os tenha).

Imaginem a satisfação do moleque dando um mortal naquela hidro. Coisa fina, né não?

That's all folks! Resta desejar um feliz 2011. .

*Dude Santos é jornalista

O Teatro de Bonecos (considerações sobre a eleição de 31/10)



Neste domingo, 31/10, 135 milhões de brasileiros estão aptos a votar, e vão às urnas não apenas para escolher quem guiará o destino do país nos próximos quatro anos – o que já não é pouco -, como para decidir sobre um modelo de gestão, uma maneira específica de governar, que mais lhes agrada. A versão tucana, ou o modo petista.

É sempre bom lembrar que, em 2010, o Brasil completa 25 anos de democracia plena, após outros duros 25 anos de período de exceção. Nesse meio tempo tivemos a conturbada fase de transição do governo Sarney e seus tresloucados planos econômicos e o famigerado tabelamento de preços que surgiam inesperados como gripe.

Em 1989 ocorreu a primeira eleição livre para presidente após o regime militar. Surge daí o cometa Fernando Collor, propondo dar uma cara nova à política nacional. A cara era nova, mas os hábitos eram bem conhecidos dos brasileiros. #Fail!

Outro período de transição: O governo Itamar, que os brasileiros lembram muito pelo topete, pelo fusca e a calcinha da Lilian Ramos (que ninguém viu até hoje), não necessariamente nessa ordem. Ah, e tinha o plano real, proposto por uma equipe formada pelo então Ministro da Fazenda: Fernando Henrique Cardoso.

Daí, os eleitores resolveram bancar o rei Salomão e deram carta branca a FHC por 8 anos e, em contrapartida, concederam ao petista Lula o mesmo privilégio.

Governos parecidos, com ênfase na política econômica. Se um privatizava de lá, o outro respondia de cá. O congresso nacional passou a ser moeda de troca, valia muito, e foi “muito bem pago” por isso. Escândalos de ambos os lados e agora o povo é chamado a decidir entre iguais com embalagens diferentes.


Daqui sairá o vencedor neste domingo, não tenha dúvida!

O Brasil não estará votando em Dilma ou Serra neste domingo, mas nas figuras à sombra: Lula e FHC. Se o títere vencedor terá fôlego para governar sem a mão do bonequeiro só o futuro dirá.

O eleitor está avisado: este entrevero acaba neste domingo. A não ser que caia algum meteoro mequetrefe sobre nossas cabeças até lá, teremos que conviver com essa escolha por, pelo menos, quatro anos. E não há bexiga d’água ou bolinha de papel que dê jeito caso algo não saia como esperado. O palco é o mesmo, são os mesmos atores, e cabe ao eleitor a decisão final: fogo ou frigideira. Boa sorte!

Não sei por que, mas uma brisa me coça a orelha dizendo que os verdadeiros bonecos somos nós...

Ode ao deputado Tiririca (Abestados somos nós)


Candidato-palhaço
Homem sério é candidato
A sopapo
Melhor ser um cômico-político
Que político palhaço
Candidato, palha e aço
Vivendo longe dos olhos
Num salto
De picadeiro em picadeiro
Descalço
Da última lágrima ao primeiro riso
Sobressaltos
Seguindo passo a passo até o derradeiro palco

Quem, afinal, Colombina, diz o choroso Pierrô, é o abestado?
- Quem ri por último, ri vingado!